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O Tabernáculo de Davi

O rei Davi foi um homem de “uma só coisa” (Sl 27:4). Por volta de 1.000 a.C., de coração transbordante, Davi ordenou que a Arca da Aliança fosse trazida para sua nova capital, Jerusalém, sobre os ombros dos Levitas ao som de canções e instrumentos musicais. Lá, ele a colocou dentro de uma tenda e designou 288 cantores proféticos e 4.000 músicos para ministrarem diante do Senhor que fizessem petições, agradecessem e louvassem ao Senhor dia e noite (1 Cr 15:1 – 17:27). Não havia nada parecido em toda História de Israel até aquele momento, mas foi o plano de Deus para Israel.

A Ordem Davídica da Adoração

Embora o tabernáculo fosse substituído por um templo, a ordem Davídica de adoração foi adotada e reinstituída por sete líderes subsequentes durante a história de Israel e de Judá. Cada vez que esta ordem de adoração foi restabelecida, houve, em sequência, um período de rompimento espiritual, libertação e vitória militar.

  • Salomão instruiu que a adoração no templo deveria ser conforme a ordem Davídica (2 Cr 8:14-15).
  • Josafá derrotou Moabe e Amom colocando cantores na linha de frente do exército para cantar louvores conforme a ordem Davídica (2 Cr 20:20-22, 28)
  • Joás (2 Cr 23:1–24:27).
  • Ezequias purificou, consagrou o templo e restabeleceu a ordem Davídica da adoração (2 Cr 29:1–36; 30:21).
  • Josias reinstituiu a adoração Davídica (2 Cr 35:1–27).
  • Esdras e Neemias, ao retornar da Babilônia, restabeleceram a adoração Davídica (Ed 3:10; Ne 12:28–47).

Os historiadores especulam que nos dias de Jesus, na busca de encontrar comunhão com Deus, os Essênios do deserto da Judéia restabeleceram a adoração Davídica como parte de sua vida de oração e jejum.

Início da Tradição Monástica de Oração 24/7

Por mais de mil anos, monasticismo (a prática de fazer votos de pobreza, castidade e obediência a um superior espiritual) teve uma papel fundamental no desenvolvimento da teologia e da prática na Igreja. A partir do quarto e quinto século, monges e freiras eram aceitos como parte da sociedade. O monasticismo é o berço do nascimento de “lausperene”, a oração perpétua, na era da igreja. Vamos descrever algumas das figuras chaves desta tradição.

Alexander Akimetes e os “Sleepless Ones” (Os que não dormem)

Nascido na Ásia menor e educado em Constantinopla, Alexander se tornou um oficial no exército Romano. Desafiado pelas palavras de Jesus ao jovem rico de Mateus 19:21, Akimetes vendeu suas posses e retirou-se da vida de corte para o deserto. A tradição diz que ele pôs fogo num templo pagão depois de sete anos de solidão. Após ser detido e preso, Alexander converteu o administrador da prisão e sua família, e retornou imediatamente a habitar no deserto. Pouco depois, ele teve a infelicidade de misturar-se com um bando de assaltantes. Seu zelo evangelístico não poderia ser contido, e ele converteu estes homens em devotos seguidores de Jesus. Este grupo se tornou o núcleo do seu grupo de monges. Por volta de 400 dC, ele retornou a Constantinopla com 300 a 400 monges, onde ele estabeleceu a “lausperene” em cumprimento da exortação de Paulo de orar sem cessar (1 Ts 5:17). Levados a sair de Constantinopla, os monges estabeleceram o mosteiro em Gormon, na entrada do Mar Negro. Este lugar tornou-se, então, a base do mosteiro da ordem de Acoemetae (literalmente, os que não dormem). Alexander morreu neste lugar em 430 dC, mas a influência do Acoemetae continuou. As casas foram divididas em 6 corais rotativas durante o dia, e cada próximo coral aliviava o anterior, assim, criando oração e adoração ininterrupta por vinte e quatro horas do dia.

João, o segundo abade do Acoemetae, fundou outro mosteiro no litoral leste de Bósforo, e referido por muitos, em documentos antigos, como o “grande mosteiro” e a casa mãe do Acoemetae. Durante o Império Bizantino, a biblioteca que se encontrava lá era reconhecida pela grandeza e sem dúvida foi visitado por muitos papas. O terceiro abade estabeleceu um mosteiro na capital sob o cônsul real, Stoudios, quem dedicou o novo mosteiro a João Batista. Stoudion se tornou um renomado centro de ensino e piedade, o mais importante mosteiro em Constantinopla. Stoudion continuou até 1453 quando os Turcos capturaram Constantinopla.

O impacto duradouro de Acoemetae foi a adoração e a contribuição para a liturgia da igreja. Os mosteiros, entre centenas e algumas vezes milhares, eram organizados em grupos nacionais de latinos, gregos, sírios e egípcios, e também em corais. Além de lausperene, que passou para a Igreja Ocidental com o Santo Maurício d’Agaune, eles desenvolveram o Ofício Divino – a efetivação literal do Salmo 119:164, “Sete vezes no dia, eu te louvo pela justiça dos teus juízos.” Isto se tornou parte integrante da regra beneditina das sete horas da oração, a liturgia das horas – Matinas, Laudes, Tércia, Sexta, Noa, Vésperas e Completas.

Agaunum

Por volta de 522, o abade Ambrósio chamou a atenção para um pequeno mosteiro na Suíça. Diz a lenda que por volta de 286, uma legião Tebana, sob o comando de Maurício de Valois foi enviada para reprimir uma rebelião dos gauleses no norte do império.

A caminho para a Gália, os cristãos coptas estavam acampados em Agaunum (atual Suíça), onde eles foram ordenados a sacrificar aos deuses romanos e ao Imperador pedindo por vitória. Maurício e a sua Legião Tebana recusaram. O imperador romano Maximiano ordenou que “dizimasse” a legião de sete mil: morte de um em cada dez homens. Quando Maurício e os seus homens continuaram com a recusa, uma segunda dizimação foi ordenada, seguido por outro e outro. Com o tempo, todos os sete mil cristãos egípcios foram martirizados.

Embora a veracidade da história tenha sido posta em dúvida, a lenda dos mártires em Agaunum se espalhou largamente. Entre 515-521, Sigismundo, Rei da Borgonha, generosamente fundou o mosteiro estabelecido no local do martírio para garantir seu sucesso. Em 522, o abade de Santo Maurício instituiu o lausperene conforme a tradição da Acoemetae. Corais de monges cantavam em rodízios, um coral aliviando o coral anterior, assim, continuando dia e noite. Esta prática continuou até por volta do ano 900, impactando os mosteiros por toda a França e Suíça.

Comgall e Bangor

O Mappa Mundi, o mais célebre de todos os mapas medievais, contém uma referência de um lugar no limite do mundo conhecido: Bangor, Irlanda. Por que este pequeno e distante lugar, atualmente uma cidade costeira adormecida a 24 quilômetros de Belfast, capital da Irlanda do Norte, foi tão importante nos tempos medievais?

São Patrício e Vallis Angelorum (Vale dos Anjos)

O monasticismo na Grã-Bretanha e na Irlanda desenvolveu ao longo de linhas semelhantes às dos Pais do Deserto do Oriente. A mãe de São Patrício era parente próximo de Martinho de Tours, um contemporâneo de Santo António, o pai do monasticismo. Não é nenhuma surpresa que o mesmo tipo de ascetismo, que acompanhou o estilo de vida monástica no Egito, também foi encontrado na Irlanda.

Em 433, bem no momento em que o Império Romano estava começando a ruir, São Patrício retornou à Irlanda (anteriormente foi escravizado na ilha), com visão de pregar a mensagem Cristã para os irlandeses. Outros ascetas o seguiram, Finnian, Brigid, e Ciaran, os quais estabeleceram centros monásticos por toda a ilha. Enquanto que o Cristianismo, em grande parte do império, tinha sido fundado com a supervisão de bispos sobre as cidades e centros urbanos, a Irlanda nunca foi conquistada e não possuía centros urbanos. A queda do império, portanto, teve pouco impacto, tornando-se relativamente fácil para os mosteiros se tornarem o centro de influência na sociedade irlandesa.

De acordo com o monge Anglo-Normando Jocelino do século XII, São Patrício veio para descansar em um vale às margens do Lago Belfast em uma de suas muitas viagens. Neste lugar, ele e os seus companheiros tiveram uma visão celestial. Jocelino afirma: “eles observaram o vale cheio de luz celestial, com uma multidão no céu, eles ouviram, como quem cantavam como vozes de anjos, o salmodia do coro celestial.” O lugar ficou conhecido como “Angelorum Vallis” ou o Vale dos Anjos. O famoso Mosteiro Bangor foi fundado neste mesmo lugar cerca de cem anos mais tarde; a partir deste ponto, a canção do céu alcançara à Europa.

Apresentando Comgall

Fundador de Bangor, Comgall, nasceu no Condado Antrim, Irlanda do Norte, em 517. Originalmente um soldado, logo ele fez os votos monásticos e foi educado na sua nova vida. A próxima citação sobre a vida dele está nos anais irlandeses, como um ermitão no Lago Erne. No entanto, seu governo foi tão severo que sete de seus companheiros monges morreram e ele foi convencido a sair e estabelecer uma casa em Bangor (ou Beannchar, do irlandês Horned Curve, provavelmente em referência à baía), no famoso Vale dos Anjos. Os primeiros anais irlandeses citam o ano de 558 como a data de início de Bangor.

Bangor Mor e a Salmodia Perpétua

Em Bangor, Comgall instituiu uma regra monástica rígida de oração incessante e jejum. Ao invés de afastar as pessoas, esta regra ascética atraiu os milhares. Quando Comgall morreu em 602, os anais relatam que três mil monges o tiveram como referência para receber  orientação. Bangor Mor, chamado de “o Grande Bangor” para distinguir dos seus contemporâneos britânicos, tornou-se a maior escola monástica no Ulster, e um dos três principais luzes do cristianismo céltico. Os outros foram Iona, o grande centro missionário fundado por Colomba, e Bangor no Dee, em Gales, fundado por Dinooth; as antigas Tríades galesas também confirmam as “Harmonias Perpétuas” nesta grande casa.

Ao longo do sexto século, Bangor tornou-se famoso por seu salmodia em coral. “Foi esta música que foi levado ao continente pelos Missionários de Bangor, no século seguinte” (Hamilton, Reitor da Bangor Abbey). Os serviços divinos das sete horas de oração foram realizados ao longo da existência de Bangor. No entanto, os monges foram ainda mais longe e realizaram a prática de lausperene. No século XII, Bernardo de Claraval falou de Comgall e Bangor, afirmando: “a cerimônia de ofícios divinos foi mantida por companhias, que aliviaram um ao outro em sucessão, de forma que nenhum momento do dia ou da noite houvesse um intervalo nas suas devoções.” Este canto contínuo foi antifonal, por natureza, com base no chamado e na resposta rememorativa da visão de São Patrício, mas também praticado pelas casas de São Martinho na Gália. Mais tarde, muitos desses salmos e hinos foram escritos no Antifonário de Bangor, que veio a residir no mosteiro Colombano em Bobbio, Itália.

Os Missionários de Bangor

A vida ascética de oração e jejum chamou a atenção para Bangor. No entanto, com o passar do tempo, Bangor também se tornou um lugar famoso de aprendizagem e educação. Naqueles dias havia um ditado na Europa que dizia, se um homem conhecia grego então era destinado a ser um irlandês, em grande parte devido à influência de Bangor. Mais tarde, o mosteiro tornou-se uma comunidade que enviava missionários. Até hoje, a cidade é base para as sociedades missionárias. Monges de Bangor aparecem em toda a literatura medieval como uma força para o bem.

Em 580, um monge de Bangor, chamado de Mirin, levou o cristianismo a Paisley, onde ele morreu “cheio de milagres e de santidade.” Em 590, o aquecido Colombano, um dos líderes Comgall, foi enviado a partir de Bangor com outros doze irmãos, incluindo Gall, quem plantou mosteiros em toda a Suíça. Na Borgonha, ele estabeleceu uma regra monástica rígida em Luxeuil, que refletia a de Bangor. De lá ele foi para Bobbio na Itália e estabeleceu a casa que se tornou um dos maiores e melhores mosteiros na Europa. Colombano morreu em 615, mas em 700, cem mosteiros adicionais tinham sido plantados por toda a França, Alemanha e Suíça. Outros famosos monges missionários que saíram de Bangor incluem Molua, Findchua e Luanus.

O Fim da Grandeza

A grandeza de Bangor chegou ao fim em 824 com as invasões dos Vikings saqueadores; em apenas uma invasão, 900 monges foram mortos. No século XII, embora houvesse uma ressurreição do fogo do Comgall iniciado por São Malaquias (um grande amigo de Bernardo de Claraval, que escreveu “A Vida de São Malaquias”), infelizmente nunca teve o mesmo impacto que os primórdios tições Celtas, que detiveram a maré das trevas e o colapso social, ao levar Deus a uma geração quebrada.

Cluny

Nos séculos IX e X, os vikings invasores e os colonos forjavam violentamente um novo estilo de vida na Europa. O feudalismo estava se enraizando e o modo de vida monástico foi abalado, não só pelos ataques físicos que Bangor experimentou, mas pelas consequências dos ataques, quando muitas casas foram subjugadas aos caprichos dos chefes locais. Como reação a esse movimento, a reforma surgiu de várias maneiras, uma sem dúvida, sendo o movimento reformador mais importante na Igreja do Ocidente: a ordem de Cluny.

Em 910, Guilherme o Piedoso, o Duque da Aquitânia, fundou o mosteiro de Cluny, sob os auspícios do Abade Berno, instituindo uma forma mais rigorosa da regra beneditina. Guilherme fez doações a abadia, com recursos de seu domínio inteiro, mas o mais importante ele deu liberdade a abadia em dois aspectos. Devido à doação financeira, a abadia foi cometida a mais oração e louvor perpétuo, em outras palavras, lausperene. A sua autonomia da liderança secular era também importante, assim como a abadia prestava contas diretamente a igreja em Roma.

O segundo abade, Odo, assumiu em 926. De acordo com CH Lawrence, ele era “uma encarnação viva do ideal beneditino.” Seu zelo reformista fez com que a influência do mosteiro de Cluny expandisse amplamente durante o tempo de sua liderança. Conhecido por sua independência, hospitalidade e esmolas, Cluny significativamente se afastou da regra beneditina, removendo o trabalho manual diário de um monge e substituindo-o com aumento de oração. O número de casas monásticas que viam Cluny como sua casa-mãe aumentou muito durante este período, e a influência da casa se ​​espalhou por toda a Europa.

Cluny chegou ao auge de seu poder e influência no século XII, e comandava 314 mosteiros por toda a Europa, perdendo apenas para Roma, em termos de importância no mundo cristão. Tornou-se um lugar de aprendizagem e formação para não menos que quatro papas. O rápido crescimento da comunidade em Cluny logo necessitou a construção de edifícios. Em 1089, a abadia de Cluny começou a construção sob a direção de Hugh, o sexto abade. Foi concluída em 1132 e foi considerada uma das maravilhas da Idade Média. Com mais de 170 metros de comprimento, foi o maior edifício da Europa até a construção da Basílica de São Pedro em Roma durante o século XVI. Composto por cinco naves, um nártex (ante-igreja), várias torres, e os edifícios conventuais, cobria uma área de 10 hectares. No entanto, mesmo antes desses grandes projetos arquitetônicos, é interessante notar que o declínio da espiritualidade levou ao desaparecimento final da influência de Cluny.

Conde Zinzendorf e os Moravios

Primeiros anos de Zinzendorf

A Reforma do século XVI foi tão necessária na igreja Européia que causou o fechamento de muitos mosteiros que tinham tornado mortos espiritualmente. A próxima grande campanha de oração 24/7 não apareceu até o início do século XVIII com o Conde Nicholas Ludwig Von Zinzendorf.

Zinzendorf nasceu em 1700 em uma família aristocrática, porém piedosa. Seu pai morreu quando ele tinha apenas seis semanas de idade. Portanto, o menino foi criado por sua avó, uma líder conhecida do movimento Pietista e amiga de um jovem líder estabelecido do Pietismo, padrinho de Zinzendorf, Philip Spener. Crescendo num ambiente com tanta paixão por Jesus, Zinzendorf fala de sua infância como um tempo de grande piedade: “No meu quarto ano eu comecei a buscar a Deus com sinceridade, e determinei a me tornar um verdadeiro servo de Jesus Cristo.”

A partir dos dez anos de idade, Zinzendorf foi educado na escola pietista de Halle sob o olhar atento de Augusto Francke, outro líder do Pietistas. Lá, ele formou um clube escolar, que durou por toda sua vida, A Ordem Honrosa do Grão de Mostarda. Depois de vários anos em Halle, o tio de Zinzendorf considerou o jovem conde muito Pietista e o enviou para Wittenberg para aprender jurisprudência, para que pudesse estar preparado para a vida de tribunal. Logo, o jovem conde fora aceito em vários círculos da sociedade na Europa. Ele manteve estes relacionamentos para o resto de sua vida, apesar de sua posição no tribunal de Dresden e os planos futuros para sua vida no tribunal saxônica como Secretário de Estado não se cumpririam.

Os Morávios e o Herrnhut

Em 1722, Zinzendorf comprou a fazenda Berthelsdorf de sua avó e colocou um pregador Pietista na igreja Luterana local. Naquele mesmo ano Zinzendorf entrou em contato com um pregador Morávio, Christian Davi, que convenceu o jovem conde dos sofrimentos dos protestantes perseguidos na Morávia. Estes Morávios conhecidos como os Unitas Fratrum eram os últimos dos seguidores de João Huss na Boêmia. Desde o século XVII, esses santos haviam sofrido nas mãos de sucessivos Monarcas Católicos repressivos. Zinzendorf lhes ofereceu asilo em suas terras. Christian Davi voltou para a Boêmia e trouxe muitos para se abrigar na propriedade de Zinzendorf, formando a comunidade de Herrnhut, a Vigília do Senhor. A comunidade cresceu rapidamente para aproximadamente 300 pessoas, e, devido às divisões e tensões na comunidade infantil, Zinzendorf desistiu de sua posição no tribunal e se tornou o líder da irmandade, instituindo uma nova constituição para a comunidade.

A Centenária Reunião de Oração e as Missões Subsequentes

Uma nova espiritualidade agora caracterizou a comunidade, com homens e mulheres organizados e comprometidos em pequenos grupos ou corais para encorajar uns aos outros na vida com Deus. Agosto de 1727 é visto como o Pentecostes Moraviano. Zinzendorf disse que 13 de agosto foi “o dia do derramamento do Espírito Santo sobre a congregação, foi um Pentecostes.” Dentro de duas semanas do derramamento, vinte e quatro homens e vinte e quatro mulheres se aliançaram para orar “intercessões pela hora”, ou seja, orações a cada hora do dia. Eles se comprometeram para que o fogo possa arder continuamente sobre o altar e não se apagar (Lv 6:13). O número de pessoas da comunidade empenhadas neste esforço logo aumentou para cerca de setenta. Esta reunião de oração continuaria incessantemente por mais de cem anos, e é visto por muitos como o poder espiritual que influenciou o impacto que os Morávios fizeram no mundo.

A sala de oração em Herrnhut resultou em um zelo missionário que, por pouco, não foi ultrapassada na história da igreja. A centelha inicial surgiu do encontro de Zinzendorf na Dinamarca, com os esquimós, que haviam sido convertidos pelos luteranos. O conde retornou a Herrnhut e transmitiu sua paixão de ver o evangelho pregado entre as nações. Como resultado, muitas pessoas da comunidade saíram ao mundo para pregar o evangelho, alguns até mesmo se vendendo para a escravidão, a fim de cumprir a grande comissão. Este compromisso pode ser demonstrado por uma estatística simples. Normalmente, quando se trata de missões mundiais, a laicidade protestante para uma relação missionária tem sido 5.000 por 1. Porém, com os Morávios esta proporção aumentou muito para 60 por 1. Até 1776, uns 226 missionários foram enviados pela comunidade de Herrnhut. É evidente, através do ensinamento do pai das missões modernas, William Carey, que os Morávios tiveram um profundo impacto sobre ele com relação ao zelo pela atividade missionária. É também através da mentalidade missionária dos Morávios que João Wesley veio para a fé cristã. O impacto desta pequena comunidade na Saxônia, que se comprometeu a buscar a face do Senhor dia e noite, foi verdadeiramente imensurável.

Oração 24/7 no Século XX

Em 1973, David Yonggi Cho, pastor da Igreja do Evangelho Pleno de Yoido em Seul, Coréia do Sul, iniciou o Monte de Oração, com oração dia e noite. Logo, o Monte de Oração atraía mais de um milhão de visitantes por ano, enquanto passavam retirados nas células de oração sobre o monte. Cho se comprometeu à oração incessante, à fé e ao estabelecimento de pequenas células de discipulado em sua igreja. Talvez como resultado disto, a igreja de Cho se expandiu rapidamente para se tornar a maior congregação de igreja no mundo, com atualmente mais de 780.000 membros.

Em 19 de setembro de 1999, a Casa Internacional de Oração de Kansas City, Missouri, começou uma reunião de oração, baseada em adoração, que continua desde então por 24 horas ao dia, sete dias por semana. Com uma visão semelhante à de Zinzendorf, em que o fogo no altar nunca se apagaria, nunca houve, desde esta data, um momento em que a adoração e a oração não subiu ao céu.

Ao mesmo tempo, em muitos outros lugares ao redor do mundo, Deus colocou desejos e planos para oração24/7 em diversos ministérios e nos corações de muitos líderes. Isto resultou no estabelecimento de casas de oração 24/7 e montes de oração em todos os continentes da terra.